Anelo

Print Friendly, PDF & Email

Anelo (Johann Wofgang von Goethe)

Tradução de Manuel Bandeira

Só aos sábios o reveles
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo

Na noite – em que te geraram,
Em que geraste – sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.

Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.

Não te detêm as distâncias,
Ó mariposa! E nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voa para a luz em que ardes.

“Morre e transmuta-te”: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.

Como vem da cana o sumo
Que os paladares adoça,
Flua assim da minha pena,
Flua o amor o quanto possa.

Publicações relacionadas

Os Esperançosos Os Esperançosos (Bertold Brecht) Pelo que esperam? Que os surdos se deixem c...
Quando eu Quando eu (Alberto Caeiro) Quando eu não te tinha Amava a Natureza como um ...
Da Sedução dos Anjos Da Sedução dos Anjos (Bertold Brecht) Anjos seduzem-se: nunca ou a matar. Pu...
O cônego Filipe O cônego Filipe (Álvares de Azevedo) O cônego Filipe! Ó nome eterno! Cinzas...

Deixe uma resposta