O Último Número

Print Friendly, PDF & Email

O Último Número (Augusto dos Anjos)

Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado,
A idéia estertorava-se… No fundo
Do meu entendimento moribundo
jazia o último número cansado.

Era de vê-lo, imóvel, resignado,
Tragicamente de si mesmo oriundo,
Fora da sucessão, estranho ao mundo,
Com o reflexo fúnebre do Increado:

Bradei: — Que fazes ainda no meu crânio?
E o último número, atro e subterrâneo,
Parecia dizer-me: “É tarde, amigo!

Pois que a minha ontogênica Grandeza
Nunca vibrou em tua língua presa,
Não te abandono mais! Morro contigo!”

Publicações relacionadas

Nunca Sei Nunca Sei (Alberto Caeiro) Nunca sei como é que se pode achar um poente tr...
Para un príncipe enano Para un príncipe enano (José Martí) Para un príncipe enano !Venga mi caballer...
As tuas mãos terminam em segre... As tuas mãos terminam em segredo (Fernando Pessoa) As tuas mãos terminam em ...
Fim Fim (Mário de Sá Carneiro) Quando eu morrer batam em latas, Rompam aos salto...

Deixe uma resposta