Aquela gente antiga – II

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Aquela gente antiga – II (Cora Coralina)

Aquela gente antiga explorava a minha bobice.
Diziam assim, virando a cara como se eu estivesse
distante:
“Senhora Jacinta tem quatro fulores mal falando.
Três acharam logo casamento, uma, não sei não,
moça feia num casa fácil.”

Eu me abria em lágrimas. Choro manso e soluçado…
“Essa boba… Chorona… Ninguém me falou o nome dela…”
Minha bisavó ralhava, me consolava com palavras de ilusão:
Sim, que eu casava. Que certo mesmo era menina
feia, moça bonita.
E me dava a metade de uma bolacha.
Eu me consolava e me apegava à minha bisavó.
Cresci com os meus medos e com o chá de raiz de
fedegoso,
prescrito pelo saber de minha bisavó.
Certo que perdi a aparência bisonha. Fiquei corada
e achei quem me quisesse.
Sim, que esse não estava contaminado dos
princípios goianos,
de que moça que lia romance e declamava Almeida Garret
não dava boa dona de casa.

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