As mãos de Deus

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As mãos de Deus (David Hebert Lawrence)

Coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo.
Mas muito mais terrível ainda é delas cair.

Não foi pelo conhecimento que Lúcifer caiu ?
Ah! tende piedade dele, piedade dessa queda!

Livra-me , Deus, de cair no conhecimento profano
de mim mesmo, como eu sou sem Deus.
Que eu nunca o saiba, meu Deus,
nunca me deixes saber o que eu sou, ou seria,
se caísse de tuas mãos – as mãos do Deus vivo.

Aquele pavoroso e estonteante e infindável afundar, afundar
pelos lentos patamares depravantes do saber desintegrador,
quando o ego já caiu das mãos de Deus
e afunda, fervilhando, submergindo, corrompido
e afundando ainda, de profundeza em profundeza da consciência desintegradora,
afundando na ruína sem fim – o pavoroso catabolismo para o fundo do abismo !
é assim a alma caída das mãos de Deus !

Livra-me disso, o’ Deus !
Que eu nunca me conheça separado do Deus vivo !

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