Espiritualismo

Print Friendly, PDF & Email

Espiritualismo (Antero de Quental)
de Sonetos

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.

Publicações relacionadas

Toda a cidade derrota Toda a cidade derrota (Gregório de Matos) Toda a cidade derrota esta fome ...
Se minhas mãos pudessem desfol... Se minhas mãos pudessem desfolhar (Federico Garcia Lorca) ...
A peste A peste (Augusto dos Anjos) Filha da raiva de Jeová - a Peste N’um insano ce...
Abandonada Abandonada (Augusto dos Anjos) Ao meu irmão Odilon dos Anjos Bem depressa ...

Deixe uma resposta