O convertido

Print Friendly, PDF & Email

O convertido (Antero de Quental)

de Sonetos

Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe!

Publicações relacionadas

Canção I Canção I (Cecília Meireles) Nunca eu tivera querido dizer palavras tão louc...
Tietê Tietê (Mário de Andrade) Era uma vez um rio... Porém os Borbas-Gatos dos ult...
Subúrbia Subúrbia (Mario Benedetti) Do livro "Inventár...
Infeliz Infeliz (Augusto dos Anjos) Alma viúva das paixões da vida, Tu que, na estra...

Deixe uma resposta