Homo Infimus

Print Friendly, PDF & Email

Homo Infimus (Augusto dos Anjos)

Homem, carne sem luz, criatura cega,
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam… Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.

Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: — o de chorar!

Publicações relacionadas

Acho tão Natural que não se Pe... Acho tão Natural que não se Pense (Alberto Caeiro) ...
Angústia Angústia (Graciliano Ramos) "Lá estão novamente gritando os meus desejos. C...
Meu Sonho Meu Sonho (Alvares Azevedo) Eu Cavaleiro das armas escuras, Onde vais pelas...
A morte chega cedo A morte chega cedo (Fernando Pessoa) A morte chega cedo, Pois breve é toda ...

Deixe uma resposta