A João de Deus

Print Friendly, PDF & Email

A João de Deus (Antero de Quental)

Se é lei, que rege o escuro pensamento,
Ser vã toda a pesquisa da verdade,
Em vez da luz achar a escuridade,
Ser uma queda nova cada invento;

É lei também, embora cru tormento,
Buscar, sempre buscar a claridade,
E só ter como certa realidade
O que nos mostra claro o entendimento.

O que há de a alma escolher, em tanto engano?
Se uma hora crê de fé, logo duvida;
Se procura, só acha… o desatino!

Só Deus pode acudir em tanto dano:
Esperemos a luz duma outra vida,
Seja a terra degrêdo, o céu destino.

Publicações relacionadas

Vontade de dormir Vontade de dormir (Mário de Sá Carneiro) Fios de oiro puxam por mim a soergu...
A um Carneiro Morto A um Carneiro Morto (Augusto dos Anjos) Misericordiosíssímo carneiro Esquart...
Pé Dentro, Pé Fora Pé Dentro, Pé Fora (Mário de Andrade) ...
Creio Creio (Alberto Caeiro) Creio que irei morrer. Mas o sentido de morrer n...

Deixe uma resposta