Lirial

Print Friendly, PDF & Email

Lirial (Augusto dos Anjos)

Por que choras assim, tristonho lírio,
Se eu sou o orvalho eterno que te chora,
P’ra que pendes o cálice que enflora
Teu seio branco do palor do círio?!

Baixa a mim, irmã pálida da Aurora,
Estrela esmaecida do Martírio;
Envolto da tristeza no delírio,
Deixa beijar-te a face que descora!

Fosses antes a rosa purpurina
E eu beijaria a pétala divina
Da rosa, onde não pousa a desventura.

Ai! que ao menos talvez na vida escassa
Não chorasses à sombra da desgraça,
Para eu sorrir à sombra da ventura!

Publicações relacionadas

Qualquer pano, quando está suj... Qualquer pano, quando está sujo (Bertold Brecht) Qualquer pano, quando está s...
Currículo Currículo (Mario Benedetti) Tradução A história é muito simples você nasc...
O poeta pede a seu amor que lh... O poeta pede a seu amor que lhe escreva (Federico Garcia Lorca) Amor de ...
Adolescente Adolescente (Vladmir Maiakowski) A juventude tem mil ocupações. Estudamos gr...

Deixe uma resposta