Madona da Tristeza

Print Friendly, PDF & Email

Madona da Tristeza (Cruz e Souza)

Quando te escuto e te olho reverente
E sinto a tua graça triste e bela
De ave medrosa, tímida, singela,
Fico a cismar enternecidamente.

Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
Toda a delicadeza ideal revela
E de sonhos e lágrimas estrela
O meu ser comovido e penitente.

Com que mágoa te adoro e te contemplo,
Ó da Piedade soberano exemplo,
Flor divina e secreta da Beleza.

Os meus soluços enchem os espaços
Quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!

Publicações relacionadas

Poema Negro Poema Negro (Augusto dos Anjos) ...
Cantiga de Malazarte Cantiga de Malazarte (Murilo Mendes) Eu sou o olhar que penetra nas camadas d...
Manhã de embriaguez Manhã de embriaguez (Arthur Rimbaud) Ó meu Bem! Ó meu Belo! Fanfarra atroz em...
Mistérios de um Fósforo Mistérios de um Fósforo (Augusto dos Anjos) Pego de um fósforo. Olho-o. Olh...

Deixe uma resposta