Minha boemia

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Minha boemia (Arthur Rimbaud)

Tradução de Jorge Wanderley

Eu caminhava, as mãos nos bolsos desgastados;
Também meu paletó fazia-se ideal;
Ia sob o céu, Musa! e era o amante leal!
Ah, que esplêndido amor o que então foi sonhado!

Meus únicos calções tinham um grande furo.
– Pequeno Polegar que entre rimas discursa,
Via minha taverna às margens da Grande-Ursa.
E os astros – todos meus – sussurravam no escuro!

Sentado eu escutava, à beira dos caminhos,
As meigas noites de setembro; e tinha o vinho
Do orvalho sobre a fronte – ó tônico perfeito!

E ali rimas tecia entre vultos fantásticos,
Com a minha lira – meu sapato e seus elásticos
Que eu fazia vibrar, tendo um pé contra o peito!

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