No corpo feminino, esse retiro

Print Friendly, PDF & Email

No corpo feminino, esse retiro (Carlos Drummond de Andrade)

No corpo feminino, esse retiro
– a doce bunda – é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.
Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento… Então, se ponho e tiro

a mão em concha – a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro,

me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro.

Publicações relacionadas

Dispersão Dispersão (Mário de Sá Carneiro) Perdi-me dentro de mim Porque eu era labir...
Canto íntimo Canto íntimo (Augusto dos Anjos) Meu amor, em sonhos erra, Muito longe, alti...
Angústia Angústia (Graciliano Ramos) "Lá estão novamente gritando os meus desejos. C...
Há Metafísica Bastante em Não ... Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada (Alberto Caeiro) ...

Deixe uma resposta