O dia da ira

Print Friendly, PDF & Email

O dia da ira (Adélia Prado)

As coisas tristíssimas,
o rolomag, o teste de Cooper,
a mole carne tremente entre as coxas,
vão desaparecer quando soar a trombeta.
Levantaremos como deuses,
com a beleza das coisas que nunca pecaram,
como árvores, como pedras,
exatos e dignos de amor.
Quando o anjo passar;
o furacão ardente do seu vôo
vai secar as feridas,
as secreções desviadas dos seus vasos
e as lágrimas.
As cidades restarão silenciosas, sem um veículo:
apenas os pés de seus habitantes
reunidos na praça, à espera de seus nomes.

Publicações relacionadas

Nada me demove Nada me demove (Paulo Leminski) nada me demove ainda vou ser o pai dos ...
Noite carioca Noite carioca (Ana Cristina Cesar) Diálogo de surdos, não: amistoso no frio. ...
A chuva A chuva (Jorge Luis Borges) Tradução Bruscamente a tarde se clariou Porqu...
Cotovia Cotovia (Manuel Bandeira) — Alô, cotovia! Aonde voaste, Por onde an...

Deixe uma resposta