O Poeta do Hediondo

Print Friendly, PDF & Email

O Poeta do Hediondo (Augusto dos Anjos)

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simb’lo do Pecado.

Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.

No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,

Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!

Publicações relacionadas

O punhal O punhal (Jorge Luis Borges) Tradução Em um estojo tem um punhal. Foi for...
Poema do Milho Poema do Milho (Cora Coralina) Milho . .. Punhado plantado nos quintais. Ta...
Que lindos olhos de azul inoce... Que lindos olhos de azul inocente os do pequenito do agiota! (Álvaro de Campos) ...
Saudades Saudades (Florbela Espanca) Do Livro de Soror Sa...

Deixe uma resposta