O Poeta do Hediondo

Print Friendly, PDF & Email

O Poeta do Hediondo (Augusto dos Anjos)

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simb’lo do Pecado.

Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.

No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,

Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!

Publicações relacionadas

Cartas de Amor Ofhélia Queiroz conheceu Fernando Pessoa aos dezenove anos, em 1920. ...
Inviation au Voyage Inviation au Voyage (Charles Pierre Baudelaire) Tradução de Felipe D’Olivei...
Perfume exótico Perfume exótico (Charles Pierre Baudelaire) Tradução de Osório Dutra Quan...
O Tejo é mais Belo O Tejo é mais Belo (Alberto Caeiro) ...

Deixe uma resposta