Presa do ódio

Print Friendly, PDF & Email

Presa do ódio (Cruz e Souza)

Da tu’alma na funda galeria
Descendo às vezes, eu às vezes sinto
Que como o mais feroz lobo faminto
Teu ódio baixo de alcatéia espia.

Do Desespero a noite cava e fria,
De boêmias vis o pérfido absinto
Pôs no teu ser um negro labirinto,
Desencadeou sinistra ventania.

Desencadeou a ventania rouca,
surda, tremenda, desvairada, louca,
Que a tu’alma abalou de lado a lado.

Que te infalamou de cóleras supremas
e deixou-te nas trágicas algemas
Do teu ódio sangrento acorrentado!
.

Publicações relacionadas

Se o Homem Fosse Se o Homem Fosse (Alberto Caeiro) Se o homem fosse, como deveria ser, Não...
Romance del emplazado Romance del emplazado (Federico Garcia Lorca) Para E...
Certa vez numa cidade Certa vez numa cidade (Walt Whitman) Certa vez eu passei por uma cidade bem ...
A morte de vênus A morte de vênus (Augusto dos Anjos) Velhos berilos, pálidas cortinas, Morno...

Deixe uma resposta