Clearly Non-Campos!

Print Friendly, PDF & Email

Clearly Non-Campos! (Álvaro de Campos)

Não sei qual é o sentimento, ainda inexpresso,
Que subitamente, como uma sufocação, me aflige
O coração que, de repente,
Entre o que se vive, se esquece.
Não sei qual é o sentimento
Que me desvia do caminho,
Que me dá de repente
Um nojo daquilo que seguia,
Uma vontade de nunca chegar a casa,
Um desejo de indefinido.
Um desejo lúcido de indefinido.

Quatro vezes mudou a ‘stação falsa
No falso ano, no imutável curso
Do tempo conseqüente;
Ao verde segue o seco, e ao seco o verde,
E não sabe ninguém qual é o primeiro,
Nem o último e acabam.

Publicações relacionadas

As cousas do mundo As cousas do mundo (Gregório de Matos) Neste mundo é mais rico o que mais ra...
A Geramano Meirelles A Geramano Meirelles (Antero de Quental) ...
Os Doentes Os Doentes (Augusto dos Anjos) I Como uma cascavel que se enroscava A ci...
Canciones XXXVIII Canciones XXXVIII (Antonio Machado) Abril florecía frente a mi ventana. ...

Deixe uma resposta