A vida esse parêntese

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A vida esse parêntese (Mario Benedetti)

Do livro “Perguntas ao acaso”
Tradução de Julio Luís Gehlen

Quando o não-ser fica em suspense
abre-se a vida esse parêntese
com um gemido universal de fome

somos famintos desde o vamos
e o seremos até o vamo-nos
depois de muito descobrir
e brevemente amar e acostumar-nos
à falida eternidade

a vida se encerra em vida
a vida esse parêntese
também se fecha incorre
em um gemido universal
o último

e então somente então
o não-ser segue para sempre.

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