Dança do ventre

Print Friendly, PDF & Email

Dança do ventre (Cruz e Souza)

Torva, febril, torcicolosamente,
Numa espiral de elétricos volteios,
Na cabeça, nos olhos e nos seios
Fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
Que convulsões, que lúbricos anseios,
Quanta volúpia e quantos bamboleios,
Que brusco e horrível sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo
Como reptil abjecto sobre o lodo,
Espolinhando e retorcido em fúria.

Era a dança macabra e multiforme
De um verme estranho, colossal, enorme,
Do demônio sangrento da luxúria!

Publicações relacionadas

Grande desejo Grande desejo (Adélia Prado) Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia, sou...
O poeta e a poesia O poeta e a poesia (Cora Coralina) Não é o poeta que cria a poesia. E sim, a...
Manuscritos de Felipa Manuscritos de Felipa - trechos do livro (Adélia Prado) "Preciso descobrir se...
O anel de vidro O anel de vidro (Manuel Bandeira) Aquele pequenino anel que tu me deste, – A...

Deixe uma resposta