El Principito – XXI

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El Principito – XXI (Antoine de Saint-Exupéry)


A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
– Por favor… cativa-me!
– Bem quisera – disse o principezinho – mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Ma, a cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora – disse a raposa. – Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…



Assim o principezinho cativou a raposa. Mas quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
– A culpa é tua – disse o principezinho; – eu não te queria fazer mal, mas tu quisestes que eu te cativasse…
– Quis – disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! – disse o principezinho.
– Vou – disse a raposa.
– Então, não sais lucrando nada!
– Eu lucro – disse a raposa – por causa da cor do trigo.

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