No Campo

Print Friendly, PDF & Email

No Campo (Augusto dos Anjos)

Tarde. Um arroio canta pela umbrosa
Estrada; as águas límpidas alvejam
Com cristais. Aragem suspirosa
Agita os roseirais que ali vicejam.

No alto, entretanto, os astros rumorejam
Um presságio de noute luminosa
E ei-la que assoma – a Louca tenebrosa,
Branca, emergindo às trevas que a negrejam.

Chora a corrente múrmura, e, à dolente
Unção da noute, as flores também choram
Num chuveiro de pétalas, nitente,

Pendem e caem – os roseirais descoram
E elas bóiam no pranto da corrente
Que as rosas, ao luar, chorando enfloram.

Pau d’Arco – 1902

Publicações relacionadas

As Quatro Canções As Quatro Canções (Alberto Caeiro) ...
Afetos Afetos (Augusto dos Anjos) Bendito o amor que infiltra n’alma o enleio E san...
Amor de tarde Amor de tarde (Mario Benedetti) Do livro "Po...
Lisbon revisited (1926) Lisbon revisited (1926) (Álvaro de Campos) Nada me prende a nada. Quero cin...

Deixe uma resposta