N’augusta solidão dos cemitérios

Print Friendly, PDF & Email

N’augusta solidão dos cemitérios (Augusto dos Anjos)

Soneto

N’augusta solidão dos cemitérios,
Resvalando nas sombras dos ciprestes,
Passam meus sonhos sepultados nestes
Brancos sepulcros, pálidos, funéreos.

São minhas crenças divinais, ardentes
– Alvos fantasmas pelos merencórios
Túmulos tristes, soturnais, silentes,
Hoje rolando nos umbrais marmóreos.

Quando da vida, no eternal soluço,
Eu choro e gemo e triste me debruço
Na lájea fria dos meus sonhos pulcros.

Desliza então a lúgubre coorte,
E rompe a orquestra sepulcral da morte,
Quebrando a paz suprema dos sepulcros.

Publicações relacionadas

O inútil luar O inútil luar (Manuel Bandeira) É noite. A Lua, ardente e terna, Verte na so...
A alcova A alcova (Fernando Pessoa) Desce não se por onde Até não me encontrar. ...
Embriaga-te Embriaga-te (Charles Pierre Baudelaire) Deve- se estar sempre bêbado. É a úni...
Mãos Mãos (Augusto dos Anjos) Há mãos que fazem medo Feias agregações pentagonai...

Deixe uma resposta