Noiva da agonia

Print Friendly, PDF & Email

Noiva da agonia (Cruz e Souza)

Trêmula e só, de um túmulo surgindo,
Aparição dos ermos desolados,
Trazes na face os frios tons magoados,
De quem anda por túmulos dormindo…

A alta cabeça no esplendor, cingindo
Cabelos de reflexos irisados,
Por entre aureolas de clarões prateados,
Lembras o aspecto de um luar diluindo…

Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,
Atra, sinistra, gélida, tremenda,
Que as avalanches da Ilusão governa…

Mas ah! és da Agonia a Noiva triste
Que os longos braços lívidos abriste
Para abraçar-me para a Vida eterna!

Publicações relacionadas

A um poeta Saxônio A um poeta Saxônio (Jorge Luis Borges) Tradução Tu cuja carne, hoje disper...
Flor do mar Flor do mar (Cruz e Souza) És da origem do mar, vens do secreto, ...
Propriedade do perdido Propriedade do perdido (Mario Benedetti) Do ...
Aceitarás o amor como eu o enc... Aceitarás o amor como eu o encaro ?... (Mário de Andrade) Aceitarás o amor co...

Deixe uma resposta