Poética

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Poética (Federico Garcia Lorca)

(Lorca, de viva voz a Gerardo Diego)

“Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas
nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo e nada
mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da
Poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem
tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a Poesia.

Aqui está; olha. Tenho o fogo em minhas mãos. Eu o entendo
e trabalho com ele perfeitamente, mas não posso falar dele
sem literatura. Compreendo todas as poéticas; poderia
falar delas se não mudasse de opinião a cada cinco
minutos. Não sei. Pode ser que algum dia eu goste muito da
má poesia, como gosto (gostamos) hoje, com loucura, da
música má. Queimarei o Partenão durante a noite, para
começar a erguê-lo pela manhã e não terminá-lo nunca.

Em minhas conferências tenho falado às vezes da Poesia,
mas a única coisa de que não posso falar é da minha
poesia. E não porque seja um inconsciente do que faço. Ao
contrário, se é verdade que sou poeta pela graça de Deus –
ou do demônio -, também é verdade que o sou pela graça da
técnica e do esforço, e da minha percepção absoluta do que
é um poema.”

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