Queixas Noturnas

Print Friendly, PDF & Email

Queixas Noturnas (Augusto dos Anjos)

Quem foi que viu a minha Dor chorando?!
Saio. Minh’alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!

Não trago sobre a túnica fingida
As insígnias medonhas do infeliz
Como os falsos mendigos de Paris
Na atra rua de Santa Margarida.

O quadro de aflições que me consomem
O próprio Pedro Américo não pinta…
Para pintá-lo, era preciso a tinta
Feita de todos os tormentos do homem!

Como um ladrão sentado numa ponte
Espera alguém, armado de arcabuz.
Na ânsia incoercível de roubar a luz.
Estou à espera de que o Sol desponte!

Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza é minha única saúde.

Publicações relacionadas

Um Dia de Chuva Um Dia de Chuva (Alberto Caeiro) Um dia de chuva é tão belo como um dia de so...
No Entardecer Passa uma Borboleta (Alberto Caeiro) ...
Cancion del mariquita Cancion del mariquita (Federico Garcia Lorca) El mariquita se peina en su p...
Canto da estrada real – ... Canto da estrada real - 15 (Walt Whitman) Traduçã...

Deixe uma resposta