Um morto alegre

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Um morto alegre (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Paulo Cesar Pimentel

Numa terra sem vida, abandonada e dura,
Quero eu mesmo cavar um buraco profundo,
Onde possa esticar minha velha ossatura
Para dormir tranqüilo, esquecido do mundo.

Odeio o testamento, odeio a sepultura;
A esmolar compaixão como um vil vagabundo,
Antes quisera ver minha carcassa impura,
Ainda viva servir de pasto a um corvo imundo.

Vermes, amigos meus sem olhos, sem ouvidos,
Um morto vos procura alegre e descuidado!
Filhos da podridão asquerosos e tortos

Sem pena percorrei meus restos corrompidos,
E dizei-me se pode ainda ser torturado
Este corpo sem alma e mais morto que os mortos!

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