Acho tão Natural que não se Pense

Print Friendly, PDF & Email

Acho tão Natural que não se Pense (Alberto Caeiro)

De O Guardador de Rebanhos

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa …
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha…
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos …
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Publicações relacionadas

O Tejo é mais Belo O Tejo é mais Belo (Alberto Caeiro) ...
Já que me põem a tormento Já que me põem a tormento (Gregório de Matos) Já que me põem a tormento mur...
Os Doentes Os Doentes (Augusto dos Anjos) I Como uma cascavel que se enroscava A ci...
Na rua em funeral ei-la que pa... Na rua em funeral ei-la que passa (Augusto dos Anjos) Soneto (Le...

Deixe uma resposta