Desejos Vãos

Print Friendly, PDF & Email

Desejos Vãos (Florbela Espanca)

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!

Mas o mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas… pisá-as toda a gente!…
Florbela Espanca – Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não es sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu es como Deus: Princípio e Fim!…

Publicações relacionadas

El Ausente El Ausente (Octavio Paz) Dios insaciable que mi insomnio alimenta; Dios...
Se souberas falar também falar... Se souberas falar também falarás (Gregório de Matos) Se souberas falar também...
Este é o prólogo Este é o prólogo (Federico Garcia Lorca) (7 de a...
No sé por qué piensas tú No sé por qué piensas tú (Nicolás Guillén) De Cantos...

Deixe uma resposta