Os gatos

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Os gatos (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Delfim Guimarães

Os loucos de paixão, e os sábios mais prudentes,
Tem um amor igual, quando sexagenários,
Por esses animais de pupilas ardentes
À sua imitação: friorentos, sedentários.

Devotos da ciência, amigos dos mistérios,
Procuram o silêncio, a treva, a quietação;
Por certo, eram de Erebo os ginetes funéreos,
Se a orgulhosa altivez dobram à escravidão.

Sabem tomar, sonhando, os modos imponentes
De esfinges colossais nas areias dormentes,
Num profundo dormir, num sonho peregrino;

Os fecundantes rins geram chispas elétricas,
E as pupilas a arder, em labaredas tétricas,
Tem brilhos de areal, fulgência de ouro fino!

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