Silêncio!…

Print Friendly, PDF & Email

Silêncio!… (Florbela Espanca)

No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta…

Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!

Estou junto de ti, e não me vês…
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!

Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa… Escuta!… Uns leves passos…
Silêncio, meu Amor!… Abre! Sou eu!…

Publicações relacionadas

Insânia Insânia (Augusto dos Anjos) No mundo vago das idealidades Afundei minha louc...
Confidência do Itabirano Confidência do Itabirano (Carlos Drummond de Andrade) Alguns anos vivi em Ita...
Gênio das trevas lúgubres, aco... Gênio das trevas lúgubres, acolhe-me (Augusto dos Anjos) Soneto Gênio das ...
Filho da Floresta, Água e Made... Filho da Floresta, Água e Madeira (Thiago de Mello Filho da floresta, água...

Deixe uma resposta