Visão da morte

Print Friendly, PDF & Email

Visão da morte (Cruz e Souza)

Olhos voltados para mim e abertos
Os braços brancos, os nervosos braços,
Vens d’espaços estranhos, dos espaços
Infinitos, intérminos, desertos…

Do teu perfil os tímidos, incertos
Traços indefinidos, vagos traços
Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
Outra luz de que os céus ficam cobertos.

Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
Uma outra luz de lívidos martírios,
De agonies, de mágoa funerária…

E causas febre e horror, frio, delírios,
Ó Noiva do Sepulcro, solitária,
Branca e sinistra no clarão dos círios!

Publicações relacionadas

Cotidiana 1 Cotidiana 1 (Mario Benedetti) Do livro "Inve...
Dedução Dedução (Vladmir Maiakowski) Tradução de E. Carre...
Lacrimae rerum Lacrimae rerum (Antero de Quental) ...
Abismo Abismo (Fernando Pessoa) Olho o Tejo, e de tal arte Que me esquece olhar ...

Deixe uma resposta