Apocalipse

Print Friendly, PDF & Email

Apocalipse (Augusto dos Anjos)

Minha divinatória Arte ultrapassa
os séculos efêmeros e nota
Diminuição dinâmica, derrota
Na atual força, integérrima, da Massa.

É a subversão universal que ameaça
A Natureza, e, em noite aziaga e ignota,
Destrói a ebulição que a água alvorota
E põe todos os astros na desgraça!

São despedaçamentos, derrubadas,
Federações sidéricas quebradas…
E eu só, o último a ser, pelo orbe adeante,

Espião da cataclísmica surpresa
A única luz tragicamente acesa
Na universalidade agonizante!

Publicações relacionadas

O mapa O mapa (Mário Quintana) Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatom...
Minha Desgraça Minha Desgraça (Álvares de Azevedo) Minha desgraça não é ser poeta, Nem na t...
A estrela chorou rosa… A estrela chorou rosa...(Arthur Rimbaud) Tradução de Daniel Fresnot A es...
Num Monumento à Aspirina Num Monumento à Aspirina (João Cabral de Melo Neto) ...

Deixe uma resposta