Círculo

Print Friendly, PDF & Email

Círculo (Adélia Prado)

Na sala de janta da pensão
tinha um jogo de taças roxo-claro,
duas licoreiras grandes e elas em volta,
como duas galinhas com os pintinhos.

Tinha poeira, fumaça e a cor lilás.

Comíamos com fome, era 12 de outubro
e a Rádio Aparecida conclamava os fiéis
a louvar a Mãe de Deus, o que eu fazia
na cidade de Perdões, que não era bonita.

Plausível tudo.

As horas cabendo o dia,
a cristaleira os cristais
— resíduo pra esta memória —
sem uma palavra demais.

Foi quando disse e entendi:
cabe no tacho a colher.
Se um dia puder,
nem escrevo um livro.

Publicações relacionadas

Alguns Toureiros Alguns Toureiros (João Cabral de Melo Neto) a Antôn...
Filhos Filhos (Ferreira Gullar) Daqui escutei quando eles chegaram rindo e cor...
Insânia de um Simples Insânia de um Simples (Augusto dos Anjos) Em cismas patológicas insanas, É-m...
Si quieren que de este mundo Si quieren que de este mundo (José Martí) Si quieren que de este mundo Llev...

Deixe uma resposta