Samba – canção

Print Friendly, PDF & Email

Samba-canção (Ana Cristina Cesar)

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo por você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa.
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz…

Publicações relacionadas

Nunca Sei Nunca Sei (Alberto Caeiro) Nunca sei como é que se pode achar um poente tr...
Os Deuses Os Deuses (Ricardo Reis) Os deuses desterrados. Os irmãos de Saturno, Às ...
A Árvore da Serra A Árvore da Serra (Augusto dos Anjos) — As árvores, meu filho, não têm alma! ...
Rosto de vós Rosto de vós (Mario Benedetti) Tradução Tenho uma solidão tão concorrida ...

Deixe uma resposta