Aos caramurus da Bahia

Print Friendly, PDF & Email

Aos caramurus da Bahia (Gregório de Matos)

Um calção de pindoba à meia zorra
Camisa de urucu, mantéu de arara,
Em lugar de cotó arco e taquara
Penacho de guarás em vez de gorra.
Furado o beiço, e sem temor que morra
O pai, que lho envasou cuma titara
Porém a Mãe a pedra lhe aplicara
Por reprimir-lhe o sangue que não corra.
Alarve sem razão, bruto sem fé,
Sem mais leis que a do gosto, quando erra
De Paiaiá tornou-se em abaité.
Não sei onde acabou, ou em que guerra:
Só sei que deste Adão de Massapé
Procedem os fidalgos desta terra.

Publicações relacionadas

O fazedor de amanhecer O fazedor de amanhecer (Manoel de Barros) Sou leso em tratagens com máquina. ...
No te salves No te salves (Mario Benedetti) No te quedes inmóvil al borde del camino, no...
Se às Vezes Digo que as Flores... Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem (Alberto Caeiro) ...
Idéias íntimas Idéias íntimas (Álvares de Azevedo) Fragmento La chaise ou je m'assieds, l...

Deixe uma resposta